Leituras dramáticas

Atores Ricardo Aires, Renata Jai e Carol Dubeux

Espaço Luau Cultura apresenta seu grupo de pesquisa de leituras dramáticas.

O projeto “Leituras dramáticas ao ar livre” pretende atingir público variado e espontâneo principalmente de espaços abertos, como praças, parques e ruas da cidade, em que houver oportunidade de se apresentar.

O mesmo formato também está disponível para ambientes fechados.

Escapemos desta Barca

O texto “Auto da Barca do Inferno”1, de Gil Vicente2, obra do Humanismo Português3, é lido integralmente pelos atores Carol Dubeux, Renata Jai e Ricardo Aires, com bastante dinamismo e criatividade.

Gil Vicente, por revelar tipos sociais, abre inúmeras possibilidades de apresentação de seus personagens, oferecendo material para uma leitura divertida e surpreendente.

A leitura dramática permite aprofundamento em recursos cênicos, principalmente na expressão vocal. Transporta uma experiência individual e solitária de leitura à vivência coletiva. É um poderoso recurso para compreensão e revelação do texto.

Na leitura dramática, busca-se traduzir sentimento do personagem, interpretar nuances, pausas, ritmos.

Elementos semióticos são explorados, como a entonação, o gestual, a exploração de sons, a introdução de objetos cênicos, a surpresa. A leitura por si só desperta o público ao texto, coloca-o em evidência. Prender a atenção é o desafio, atingido através de muita criatividade!

A proximidade com o público também é um diferencial da leitura dramática. Compartilham-se as sugestões e emoções do texto com proposta intimista, agindo-se e reagindo-se a partir da comunicação não-verbal entre atores e plateia.

Há um despertar diferente da ação teatral, pois se convida o interlocutor a buscar em sua imaginação elementos que complementem a cena. A leitura dramática possibilita potencial exponencial de leituras individuais de cada pessoa presente. E o guia para esta aventura, certamente, é a voz.

Na leitura dramática, não há limites. Muito pelo contrário: há transcendência, convite ao hábito de ler, despertar dos sentidos, observação da expressividade, contemplar do texto.

Entre em contato com o Espaço Luau e conheça mais sobre esta atividade que pode inclusive ser levada para seu ambiente! Surpreenda seus convidados com esta alegre atração! luaucultura@hotmail.com

Ficha técnica:

Atores: Carol Dubeux, Renata Jai, Ricardo Aires

Direção: Márcio Baptista

Produção: Rosely Zenker

Categoria: Aproveitar a vida

Os atores em exercício de leitura dramática para crianças

Ricardo Aires, em leitura dramática para crianças

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1Auto da Barca do Inferno está em domínio público! Faça download gratuito da obra: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=16646

Conheça os personagens:

ANJO – arrais, ou seja, navegante da barca celeste. 

DIABO E SEU COMPANHEIRO – conduzem a barca infernal. 

FIDALGO
– representa todos os nobres ociosos de Portugal. 

ONZENEI RO
– simboliza o pecado da usura e a classe dos agiotas. 

PARVO
– representa o povo português, rude e ignorante, porém bom de coração e temente a Deus. 

FRADE
– representa os maus sacerdotes. 

BRÍSIDA VAZ
– alcoviteira (cafetina), simboliza a degradação moral e a feitiçaria popular. 

JUDEU
– representa os infiéis, que são alheios à fé cristã. 

CORREGEDOR E PROCURADOR
– encarnam a burocracia jurídica da época. 

ENFORCADO
– é o símbolo da falta de fé e da perdição. 

QUATRO CAVALEIROS
– representam as cruzadas contra os mouros e a força da fé católica.

Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/estude/literatura/materia_409128.shtml

2Pouco se sabe sobre a vida de Gil Vicente, autor de Auto da Barca do Inferno. Ele teria nascido por volta de 1465, em Guimarães ou em outro lugar na região da Beira. Casado duas vezes, teve cinco filhos, incluindo Paula e Luís Vicente, que organizou a primeira compilação das suas obras.

No início do século 16, há referência a um Gil Vicente na corte, participando dos torneios poéticos. Em documentos da época, aparece outro Gil Vicente, ourives, a quem é atribuída a Custódia de Belém (1506), recipiente para exposição de hóstias feita com mais de 500 peças de ouro puro. Há ainda mais um Gil Vicente que foi “mestre da balança” da Casa da Moeda. Alguns autores defendem, sem provas, que os três seriam a mesma pessoa, embora a identificação do dramaturgo com o ourives seja mais viável, dada a abundância de termos técnicos de ourivesaria nos seus autos.

Ao longo de mais de três décadas, Gil Vicente foi um dos principais animadores dos serões da corte, escrevendo, encenando e até representando mais de quarenta autos. O primeiro deles, o “Monólogo do Vaqueiro” (ou “Auto da Visitação”), data de 1502 e foi escrito e representado pelo próprio Gil Vicente na câmara da rainha, para comemorar o nascimento do príncipe dom João, futuro rei dom João 3o. O último, “Floresta de Enganos”, foi escrito em 1536, ano que se presume seja o da sua morte.

O “Auto da Sibila Cassandra”, escrito em 1513, introduz os deuses pagãos na trama e por isso é considerado por alguns como o marco inicial do Renascimento em Portugal.

Alguns dos autos foram impressos sob a forma de folhetos e a primeira edição do conjunto das obras foi feita em 1562, organizada por Luís Vicente. Dessa primeira compilação não constam três dos autos escritos por Gil Vicente, provavelmente por terem sido proibidos pela Inquisição. Aliás, o índice dos livros proibidos, de 1551, incluía sete obras do autor.

Gil Vicente foi considerado um autor de transição entre a Idade Média e o Renascimento. A estrutura das suas peças e muitos dos temas tratados foram desenvolvidos a partir do teatro medieval, defendendo, por exemplo, valores religiosos. No entanto, alguns apontam já para uma concepção humanista, assumindo posições críticas.

Em 1531, em carta ao rei, Gil Vicente defendeu os cristãos-novos, a quem tinha sido atribuída a responsabilidade pelo terremoto de Santarém. Também no “Auto da Índia” apresentou uma visão antiépica da expansão ultramarina.

Gil Vicente classificou suas peças dividindo-as em três grupos: obras de devoção, farsas e comédias. Seu filho, Luís Vicente acrescentou um quarto gênero, a tragicomédia.

Estudiosos recentes preferem considerar os seguintes tipos: autos de moralidade, autos cavaleirescos e pastoris, farsas, e alegorias de temas profanos. No entanto, é preciso lembrar que, por vezes, na mesma peça encontramos elementos característicos de vários desses gêneros.

Gil Vicente vai muito além daquilo que, antes dele, se fazia em Portugal. Revela um gênio dramático capaz de encontrar soluções técnicas à medida das necessidades. Nesse sentido, ele pode ser encarado como o verdadeiro criador do teatro nacional.

Por outro lado, a dimensão e a riqueza da sua obra constituem um retrato vivo da sociedade portuguesa, nas primeiras décadas do século 16, onde estão presentes todas as classes sociais, com os seus traços específicos, seus vícios e suas preocupações. Também no aspecto lingüístico o valor documental da sua obra é inestimável e constitui uma grande fonte de informação sobre o início do século 16 em Portugal.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/biografias/gil-vicente.jhtm

3 O Humanismo é um período de transição entre o fim da Idade Média e a Idade Moderna. Caracteriza-se pelo crescimento das cidades e o enfraquecimento do feudalismo. Com a perda de poder dos senhores de terras, os reis se aliam aos burgueses, principalmente comerciantes, passando a dividir com a Igreja o poder político.

Uma consequência direta, na área cultural é a criação de bibliotecas fora dos conventos. Os direitos ligados à individualidade também são valorizados. Começa a se abandonar o teocentrismo em busca de valores relacionados às próprias possibilidades de desenvolvimento, mas sem abandonar totalmente o temor a Deus.

Gil Vicente cresce nesse universo. Escreveu autos, comédias e farsas, em castelhano e em português. São conhecidas 44 peças, 17 em português, 11 em castelhano e 16 bilíngues. Destacam-se dois gêneros:

a) os autos, com a finalidade de divertir, de moralizar ou de difundir a fé cristã; e

b) as farsas, peças cômicas de um só ato, com enredo curto e poucas personagens, extraídas do cotidiano.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/portugues/gil-vicente-o-humanismo-e-o-nascimento-do-teatro-em-portugal.jhtm

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